PARTE TRÊS: AS DEFICIÊNCIAS SENSORIAIS

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AS DEFICIÊNCIAS VISUAIS

 

Há pessoas como a Aninha que têm deficiências visuais. Pode ser total (perda completa da visão) ou visão subnormal (onde enxergará com muita dificuldade). Como a visão é muito importante para o desenvolvimento humano, sua perda pode trazer problemas se nos primeiros anos de vida, ela não for estimulada e treinada a desenvolver suas potencialidades, a conhecer o espaço físico onde mora, o que deve fazer ou perceber.

Antigos mitos mostravam que as crianças ou pessoas com deficiências visuais (os cegos), seriam eternas dependentes ao longo de suas vidas. Mas testemunhos e experiências nas últimas décadas estão provando totalmente o contrário. Sempre muito alegres e comunicativas (o que é muito importante), essas pessoas estão cada vez mais rompendo as barreiras, preconceitos e dificuldades.

Por causa da perda da visão, essas pessoas deverão ser estimuladas a usar outros sentidos como tato (tocar, sentir), audição (ouvir e distinguir sons e vozes) e olfato (conhecer muita coisa pelo cheiro). Graças a isso, muitas crianças ao atingir uma certa idade, aprendem a se locomover sozinhas não só dentro de casa, como nas ruas e escolas, distinguindo onde moram e lugares por onde passam. Sempre usam como apoio bengalas e cães-guia.

Elas, além do ensino clássico, são ensinadas em várias atividades, como, por exemplo, tocar piano, digitar, vários trabalhos artesanais e na agricultura. Isto porque suas mãos sabem muito mais que os olhos e então, é perfeitamente possível para elas distinguir as plantas pelo tato e perceber, por exemplo, quando uma planta vai adoecer antes mesmo que comece a perder a sua vitalidade através da textura e firmeza dos tecidos da folha. Assim também estão se destacando em outras áreas.

As conquistas estão presentes também no ensino. Muitas delas estão quebrando os tabus de quando precisavam ser educadas nos centros especiais e cada vez mais ganham espaço nas escolas comuns. Sua aceitação é muito boa, tanto na parte de professores como dos demais alunos. Em muitas escolas onde a frequência de pessoas com deficiências visuais é constante, há setores da biblioteca equipados com livros, revistas e outras publicações em Braille.

O Braille é um sistema de escrita e leitura baseado no tato e consiste basicamente na combinação de seis pontos em relevo. Usando códigos de pontos e traços de Charles Barbier e que foi usado pelos militares na época, o francês Luois Braille, criou o sistema em 1824. Ele foi aluno e depois professor na Escola para Cegos, a primeira em Paris – na França. Só dois anos após a sua morte, é que o sistema foi reconhecido e adotado na escola onde lecionava. Após ser adaptado para a língua portuguesa em 1854, o Braille começou a ser usado no Brasil, pela primeira escola para deficientes visuais, o Instituto Benjamim Constant, no Rio de Janeiro.

Posso ir mais longe, contando histórias dessas pessoas que lutaram ao longo de suas vidas e conquistaram diplomas acadêmicos. Exemplo disso é uma pessoa que conheço, cego total de nascença, que após sua infância e adolescência normais, resolveu cursar Medicina. Os amigos tentaram mudar essa ideia, porém ele foi incentivado pela família. Seus problemas começaram com o impedimento no ato da matrícula, mas ele conseguiu uma autorização especial do Conselho Federal de Educação, para que terminasse o curso em 13 anos, o que não foi preciso, pois concluiu em 8 anos, tempo normal de duração. Na faculdade não houve privilégio, tendo que também a aprender as técnicas de cirurgias, embora não possa realizá-las. Como não existem livros de Medicina em Braille, sua mãe gravava as lições em fitas cassetes. E hoje ele é considerado um grande e respeitado psiquiatra.

Pessoas cegas podem ter uma vida totalmente independente, inclusive praticar esportes adaptados. / Imagem Google

Uma última citação de que essas pessoas são capazes, há uma novidade. Os especialistas e universitários cada vez mais estão unindo forças e conhecimentos. Graças a isso, criaram o que batizaram como Futebol para Cegos. O campo é delimitado por uma corda elástica, como por exemplo, a audição. Aguçado nesse sentido, percebe que há um guizo dentro da bola de futebol. As traves para o gol “A” apresentam uma espécie de som e as do gol “B”, outro. Cada jogador leva na cintura um cinto que emite sons; portanto, a equipe A possui, por exemplo, o som si menor e a B, o som lá maior, orientando os seus jogadores. O jogo é lento e o juiz e auxiliares (bandeirinhas) enxergam normalmente.

 

AS DEFICIÊNCIAS AUDITIVAS

Jonas nasceu com uma das deficiências auditivas (pessoas surdas) existentes vários graus, podendo ser entre total (não escutando absolutamente nada) ou parcial (onde se escuta alguma coisa naturalmente ou com a ajuda de aparelhos amplificadores).  Existem três modos ou métodos de comunicação usados por eles: Leitura de Lábios (quando os movimentos labiais são claramente visíveis), Alfabeto Manual (onde cada posição da mão ou dos dedos representam uma letra) e a Linguagem Brasileira de Sinais – LIBRAS (diferentes do último, baseia-se em gestos, cada um dos quais representa uma letra).

Aprendendo a Linguagem Brasileira de Sinais – Libras, todos nós só termos a ganhar, além de ser mais um idioma em nosso currículo. / Imagem Google

Uma vez li o livro “História de uma Criança Surda”, escrito por Alicia Ferrari, onde ela conta o caso de Mariali, sua filha. Após ficar surda aos 4 anos de idade, Mariali começou a passar por um grande processo de reeducação, sempre estimulada a falar para não esquecer as pronúncias corretas, embora só falasse voluntariamente. Isto porque, geralmente, por não escutar a criança não aprenderá falar ou esquece o que já aprendeu. Através de muita conversa com os seus pais (embora não ouvisse) conseguiram despertar a sua curiosidade e a vontade de se comunicar e aprender cada vez mais.

Como toda criança com deficiência auditiva, Mariali aprendeu a ler e escrever, ter gosto pela literatura, a datilografar e redigir muitas cartas (pois manteve um intercâmbio romântico com um chileno – também com deficiência auditiva – com quem se casou e têm dois filhos), passou a ter intimidades com os livros e muita organização. Estudou normalmente, entrando para a Faculdade de Psicologia, onde substituía as aulas faladas por muita leitura, chegando a cursar pós-graduação e doutorado. Esse também é um dos muitos exemplos que eu poderia lhe dar…

Como já dito, o uso de aparelhos de ampliação sonora, pode ser muito útil na vida de uma criança ou pessoa com deficiência auditiva, podendo até alterar o seu dia-a-dia. Num depoimento no final do livro, Mariali recorda-se: “No passado, quando comia com minha família, via que ninguém falava, e tinha firme convicção de que todos estavam somente pensando; mas quando alguém levantava, para regular o rádio ou toca-fitas, sentia enormes desilusões. Eu não tinha percebido que eles estavam escutando. Agora pelo contrário, sei quando há silêncio e quando não há”.

Outra coisa a ser destacada, é a intimidade dessas pessoas com música, dança e meios de comunicação. A própria Alicia Ferrari, escreve: “Cinema, teatro, dança são para qualquer criança um alimento espiritual: para um deficiente auditivo são também umas possibilidades de comunicação através da linguagem gestual”. Se já alfabetizada, a criança e jovem poderá aprender através de filmes legendados, o que quase nunca é possível através da televisão. Ela desenvolverá a sua linguagem gestual, que será importante na sua vida diária e arte.

Dançar e expressar-se através dos movimentos do corpo é um privilégio deles. Tive o prazer de conhecer um grupo de dança formado por jovens e crianças das mais variadas deficiências auditivas. Isso significa para eles, muito mais que apresentação artística, tornando-se uma fonte de prazer de conhecimento do seu próprio corpo.

Graças a essa força de vontade e dedicação, a sociedade está cada vez mais aplaudindo, admirando e aceitando as crianças e jovens com problemas auditivos ou qualquer outro tipo de deficiências. E eles sempre estão procurando integração entre si. Há muitos grupos de jovens surdos que se encontram nos finais de semana para pintar, dançar, bater papos e ir a barzinhos, onde usando sinais e seu alfabeto, contam as novidades e descobertas da semana. Certa vez, presenciei um grupo assistindo a um show de samba, quando o conjunto deu um intervalo, pegaram os instrumentos e emitiram sons.

O compositor Beethoven provou ao mundo que a surdez não lhe impediu de ter uma brilhante carreira musical. /Imagem Google

A própria história mundial conta casos de grandes artistas que foram deficientes auditivos, como por exemplo, o compositor alemão e um dos mais importantes e certamente o maior do século XIX, Beethoven (1770-1827) e o pintor espanhol, Goya (1746-1828).

Não é uma regra geral afirmar que toda pessoa com deficiência têm dom para as artes. Pode até ser um erro fazer esse tipo do generalização. O que acontece, é que por se tratar de pessoas que desenvolvem com mais facilidade outros sentidos, a sensibilidade, por exemplo, elas estão mais propícias a isto. Potencialmente dotadas e criativas, seja qual for a sua deficiência, são pessoas que sempre têm algo a oferecer à sociedade, o que os mitos muitas vezes acabam por reprimir ou neutralizar. Criando oportunidades, permitindo que falem, opinem, demonstrem seus sentimentos e capacidades, estaremos deixando que ocorra a sua evolução. Com isso, quebraremos esses mitos e descobriremos que muitas coisas são possíveis, desde que sejam incentivadas.

 

Propostas de atividades:

1) Vamos fazer algumas experiências de vivência?

  1. a) Arrumem algumas faixas e vedem os olhos para tentar sentir como é o “mundo” das pessoas com deficiências visuais. Tentem se locomover pela escola. Deixem seus colegas os guiarem, usem bengalas, ou algo parecido.
  2. b) Arrumem alguns tapa-ouvidos, amarrem a boca com faixa e tentem se comunicar com seus colegas. Experimentem assistir televisão sem som. Assim sentirão o universo das pessoas com deficiências auditivas.
  3. c) Tentem arrumar emprestado – talvez na enfermaria da escola -, umas muletas ou cadeira de rodas. Depois com esses aparelhos, tentem se locomover pelo seu colégio.
  4. d) Com seus colegas, sejam criativos e elaborem outros simulados de vivências para sentirem a realidade das pessoas com deficiência.

2) Convidem pessoas com deficiências sensoriais para fazer palestras na sua escola ou classe. Muitas delas sempre estão dispostas a essa troca de experiência. E como elas sempre abrem espaço para perguntas, vocês poderão aproveitar aquela lista de dúvidas elaborada no primeiro capítulo.

Olá, eu sou o Emílio e durante muitos anos em quis criar um canal de comunicação com crianças e jovens. Até que nasceu este site onde você encontra muitas coisas legais e escritas por mim. Se quiser conhecer mais sobre minha história, clique lá em cima em “Emílio Figueira” no menu. E qualquer dúvida os curiosidade que você tenha, basta escrever para figueiraemilio@gmail.com

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